Organoides para tratamento personalizado de tumores cerebrais pediátricos
Os tumores cerebrais pediátricos são a principal causa de morte relacionada com cancro em crianças. Embora os avanços nas tecnologias genéticas tenham melhorado significativamente a compreensão destes tumores, transformar esse conhecimento em tratamentos mais eficazes e menos tóxicos continua a ser um grande desafio. Um dos principais obstáculos é a falta de modelos laboratoriais que representem fielmente a complexidade e a diversidade dos tumores cerebrais pediátricos.
Neste estudo, os investigadores conseguiram criar 20 modelos de “tumoroides” derivados de pacientes, mini tumores “3D” cultivados em laboratório a partir de amostras tumorais frescas recolhidas durante cirurgias. Estes modelos representam uma ampla variedade de tumores cerebrais pediátricos, incluindo gliomas de baixo e alto grau, meduloblastomas e até tipos de tumores muito raros.
Análises detalhadas mostraram que estes tumoroides reproduzem de forma muito fiel os tumores originais de cada paciente, não só ao nível das células, mas também nas suas características genéticas e moleculares.
Estes resultados destacam o potencial dos tumoroides derivados de pacientes como ferramentas poderosas para estudar a biologia dos tumores cerebrais pediátricos e testar novas abordagens terapêuticas. No futuro, estes modelos poderão contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais personalizados, eficazes e menos tóxicos para crianças com tumores no cérebro.
Autores e Afiliações:
Bárbara Soares-Ferreira 1 2, Joana Peixoto 1, Anabela Ferro 3, Beatriz Esteves 1 4, Jorge Pinheiro 5, Roberto Silva 4 5, Josué Pereira 4 5, Joana Oliveira 5, Arnaud Da Cruz Paula 1, Yingjie Zhu 6, Maria Teresa Azevedo 3, Luísa Fonseca 3, Lara Coutinho 3, André Filipe Maia 1, Paula Soares 1 3 4, Susana Nunes 5, Ana Paula Fernandes 5, M J Gil Da Costa 5, Jorge Lima 7 8 9
1 i3S-Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Universidade do Porto, Porto, Portugal.
2 FMUL-Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal.
3 IPATIMUP-Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, Porto, Portugal.
4 FMUP-Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, Portugal.
5 CHUSJ-Centro Hospitalar Universitário São João, Porto, Portugal.
6 Department of Radiation Oncology, Memorial Sloan Kettering Cancer Center, New York, NY, Portugal.
7 i3S-Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Universidade do Porto, Porto, Portugal.
8 IPATIMUP-Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, Porto, Portugal.
9 FMUP-Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, Portugal.
Abstract:
Pediatric brain tumors (PBTs) are the leading cause of cancer-related mortality in children. Despite advances in next-generation sequencing (NGS) deepening our understanding of the molecular features of PBT, the lack of preclinical models that capture their complexity and diversity remains a significant barrier to developing less toxic and more effective treatments. We have established 20 ex-vivo patient-derived tumoroid (PDTs) cultures from fresh surgical material of a wide range of PBTs, including low- and high-grade gliomas, medulloblastomas, and even rarer tumor entities such as a CNS tumor with BCOR alteration. Immunofluorescence, NGS analysis, and DNA methylation profiling revealed that the PDTs faithfully mirrored the cellular nature, the genetic and epigenetic landscape of their matched primary tumors. Our study shows the feasibility of generating PDTs, even from rarer entities, that recapitulate the genetic and epigenetic features of primary tumors, highlighting their potential as models for tumor biology studies and precision medicine.
Trabalho recentemente publicado na revista “European Journal of Pharmacology” pela Doutora Mélanie Barbosa, Doutor Ryan D. Kruschel et al., demonstrou o potencial de dois N-óxidos de isoquinolinaquinona (RK2 e RK3) como promissores candidatos para as próximas fases de desenvolvimento de fármacos contra cancros resistentes a múltiplos fármacos, especificamente relacionados com a sobreexpressão de ABCB1. Este…
Um estudo recente, liderado pelos investigadores Ricardo Marcos-Pinto e Ângela Fernandes, com a primeira autoria de Henrique Fernandes-Mendes, revelou associações entre perfis de glicosilação aberrantes e diversas variáveis clínicas. O estudo, realizado no grupo Immunology, Cancer & Glycomedicine do i3S (liderado pela investigadora Salomé Pinho), demonstrou que o aumento da expressão de N-glicanos ramificados nas…
Apesar dos avanços na imunoterapia contra o cancro, a maioria dos linfomas não responde aos inibidores de checkpoints. Recentemente, foi descoberto que a proteína PSGL-1 inibe a atividade das células T, que são essenciais na luta contra o cancro. Esta equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) investigou se a…
Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), liderada por Sónia Melo, descobriu que, em tumores pancreáticos, são as células estaminais cancerígenas que comunicam com as outras células do tumor através de vesículas extracelulares, dando-lhes ordens para que o tumor cresça, e resista à quimioterapia. O…
As propriedades mecânicas das células e do ambiente extracelular, in particular a sua rigidez e capacidade de adesão, são importantes nos primeiros passos de iniciação do cancro da bexiga. Um modelo computacional, desenvolvido na Universidade de Coimbra, descreve as diferentes camadas do urotélio e permite estudar quais as características mais relevantes para a capacidade invasiva…
O rastreio do cancro do colo do útero continua a ser essencial para controlar a incidência e mortalidade associados a esta neoplasia. Atualmente, este rastreio é baseado na pesquisa e genotipagem de Vírus do Papiloma Humano (HPV) de alto risco. Este método é altamente sensível, mas a sua especificidade é limitada. Assim, neste estudo, os…